Traído pela torcida

A maior das vantagens de ter deixado o jornalismo – embora este me faça falta – é a possibilidade de escrever sobre a paixão rubro-negra sem nenhuma isenção. A ponto de me recolher em alguns momentos quando achar necessário.

Digo isto porque, desde domingo, após o insosso empate com o Madureira, não senti nenhuma vontade de escrever. Foi um jogo chato, o time esteve perdido e desorganizado, mas buscou um resultado que, em qualquer outra circunstância, teria o efeito mais produtivo do que desastroso.

Mas não.

Os pedidos por “ah, é Adriano!” me fizeram sentir vergonha de ser rubro-negro. Este é, sim, o motivo do meu desânimo. Sempre nos diferenciamos nas arquibancadas pelo que temos de melhor: empurramos os caras, fazemo-os dar sangue. Não jogamos juntos; jogamos por eles, quem quer que sejam. Com esses gritos, nossa torcida não só não fica diferente das outras pelo que tem de melhor, mas passa a ficar a igual a elas pelo que elas têm de pior.

Gritar o nome de um jogador que nem faz parte do grupo para atingir quem está erguendo o Manto foge completamente do que considero ser parte integrante do rubro-negrismo.

Nem estou aqui tomando juízo de valor em relação à decisão da diretoria de rejeitar o Imperador. Nem à postura de Luxa. Tenho opiniões, já expostas aqui e em blogs. Não vêm ao caso. Fato é que não sou flamenguista pelos outros, mas somos uma coletividade, uma nação da que faço parte, e ela me deixou triste e doído. Senti-me traído.

Agora, Adriano foi apresentado hoje no Corinthians. Deixem o cara. É, oficialmente, jogador do clube. Somos Diego Maurício, Deivid, Wanderley, Peu, Fio, Obina, Dimba. Somos Flamengo. Somos quem veste vermelho e preto.

Adriano: mais uma reflexão, certamente não a última

Semana sem jogos, um assunto predomina.

Adriano.

Ao que parece, Vanderlei Luxemburgo não o quer mesmo. Não foi à festa que poderia reencontrá-lo. Não parece disposto a dar qualquer brecha para conversa. Sabe que a pressão dos cornelheiros (conselheiros corneteiros) pode torná-lo vulnerável. Como já disse aqui, já foi-se o tempo que o Luxa dava piti e resolvia sair de um clube cuja diretoria o peitava e, no dia seguinte, as propostas boas e de clubes “top” apareciam aos montes.

Mas a diretoria não está disposta também a perder VL, mesmo este já na curva descendente. O mercado de treineiros anda impróspero. Até técnicos medianos têm rejeitado sair de seus empregos. E os disponíveis ou estão desgastados ou só liberam de seus clubes mais adiante.

O que está em jogo nesta balança de forças?

– PRÓS: Gols (?)

– CONTRAS: Difícil reposição de treinador, confirmada a probabilíssima demissão de VL (nomes disponíveis: Adilson Batista, Leão, Caio Júnior, Joel) / Problemas disciplinares e questões extracampo, com possível retorno do clube às páginas policiais / Dificuldades (ainda maiores) de patrocínio (seu comportamento não tem sido, digamos, muito vendável) …

O Flamengo não quer o Adriano. O supertécnico já o disse. Depois, o diretor de futebol confirmou. O assessor da Presidência também. Política que só, e sempre de olho das urnas, a presidenta Patrícia também já o vetou, mesmo que nas entrelinhas – não quer que os eleitores a lembrem como a vereadora que não trouxe o Adriano, o que anularia os efeitos positivos de sua manobra por R10. Quer ser apenas uma co-responsável pelo veto e que o treinador assuma mais a rejeição ao atacante.

A despeito de toda a prepotência, da marra e da decadência, Vanderlei Luxemburgo precisa ganhar esta guerra. Há 16 anos, quando era O TREINADOR, saiu pela porta dos fundos sem terminar o trabalho (combalido pelo gol de barriga, mas não condenado per se). Ninguém garante que o destino de 1995 seria diferente se ele tivesse permanecido, nem ninguém pode afirmar agora que o Flamengo será mais vitorioso com Luxemburgo e sem Adriano.

Por via das dúvidas, que tal mudarmos o meio da história para vermos como vai acabar este filme?

***

Com ou sem Adriano, os jogos finais da Taça Rio e as oitavas-de-final da Copa do Brasil me parecem prazo-limite suficiente para o julgamento final dos atacantes do elenco para o restante da temporada.

– Diego Maurício parece ter superado os problemas familiares e mostra a forma da sub-20. Hoje, é o meu camisa 9. Mas ainda precisa de mais rodagem. Gols.

– Wanderley, recuperado fisicamente, é uma boa opção. Pode entrar, incendiar. Titular? Enquanto não há um nome de consenso, pode brigar. Mas não é o meu preferido.

– Negueba: definitivamente não é atacante. É alternativa para eventuais ausências de Ronaldinho e Thiago Neves.

– Deivid: a mesma sensatez da diretoria ao vetar ao Adriano deveria ser aplicada numa conversa com esse jogador. Proponha-se uma rescisão amigável, a menos danosa possível ao clube.

Com apenas dois atacantes de verdade e em condições, é fato que ao menos um deve ser contratado. Ao fim do prazo-limite, saberemos se este reforço ofensivo seria O camisa 9 ou apenas chegaria para compor o elenco.

Fla-Weekender: Por que Obama recebeu o Manto de Patrícia?

Apenas uma resposta. E simples.

Obama pode estar perdido em suas política interna. E externa. Mas mal informado, certamente, ele não é.

Leitor, claro, do maior jornal do seu país, o New York Times, abriu a edição de algum dos sábados atrás (vejam um dos posts abaixo), sentado em sua poltrona como qualquer americano, e se deparou, em meio a toda a repercussão dos primeiros fatos e eventos na Líbia, com uma reportagem, na mesma editoria World, sobre aquela presidenta pioneira no maior clube do país do futebol.

Pioneiro presidente negro no maior dos países do planeta, é certo que, no momento do encontro entre ambos, em que Obama recebeu o Manto, houve ali, um quê de admiração mútua.

É uma pena que, tanto Obama, aqui, e Patrícia, no Flamengo, estejam transformando a doce expectativa da mudança (justamente por tal pioneirismo, também) numa profunda e amarga decepção.

E não adiantarão apenas a reforma da saúde ou o Ronaldinho Gaúcho para compensar o pouco ainda feito.

O povo espera muito mais de vocês.

Pythakes #2 – 19 de março: Adriano, a fortaleza de Luxa

– Boa vitória em Fortaleza. Mas não estou plenamente convencido com o rendimento do time. Uma coisa é estar satisfeito pelos resultados, já que a campanha até aqui, invicta, é incontestável. A outra é avaliar, racionalmente, que é grande a diferença entre o que um time com a qualidade desses jogadores produz e o que pode produzir.

– Tática. Talvez seja essa a explicação. A tática envolve a escolha dos jogadores, a distribuição deles em campo. Já tivemos quantidade suficiente de jogos para inocentar as desculpas de preparo físico e de desentrosamento.

– Apesar de tais pesares e de não ir em nada com a cara do Luxa, não vejo motivo para mudança de treinador. Seria radicalizar. Mas que fique claro: a partir do fim de abril, quando se decidirão o Estadual e a Copa do Brasil e iniciará o Brasileiro, a coisa vai ser bem mais complexa, as carnes de assadas não terão nada e o nível de exigência aumentará exponencialmente. Filme já visto e revisto.

– Luxa poderia cair, sim, pelo episódio Adriano. Fico dividido. Por um lado, me enerva o fato de pressões politiqueiras e clubescas que só apequenam o clube decidirem o destino do futebol. Isso apenas denota a vulnerabiidade institucional do CRF. Por outro, temo também que o Profexô já esteja extrapolando suas funções, vetando o cara sem ser essa a posição definitiva do clube. Sem clima, poderia sair (se levasse o Velloso, seria ainda melhor) e acabar com a prepotência em nosso comando.

– Mas, pelo visto, Luxa teve de moderar o discurso e passar a considerar o Imperador. Fosse há alguns anos, daria bye bye e aguardaria novo leilão por seu passe. Agora, ainda decadente e necessitado de um caneco para se reprojetar, provavelmente ficaria desempregado de clube grande por um tempo. Foi uma conveniente readequação de filosofia, digamos.

– A propósito: se é claro e nítido que o problema do Adriano é o álcool (problema médico mesmo, ao que parece), mestre Luxa ainda nos diz que vai tomar uma cerveja com ele na festa do R10? Bela demonstração de como vai recuperá-lo…

Pythakes #1 – 15 de março: Jogos, Adriano, Love e Ricardo Berna

Inauguro no Mundo Flamengo.com os pitacos rubro-negros desde Nova York, os “pythakes” já conhecidos nos comentários que faço no blog FlamengoNet.

– Fla-Flu nem tão morno assim. Foi um zero a zero com emoção, bons lances e que poderia ter o Flamengo como vencedor, ainda que o time tenha mostrado deficiências táticas e jogadores abaixo do rendimento. Não gostei de Ronaldinho Gaúcho. E, mesmo errando muito, Thiago Neves sobe a cada dia mais no meu conceito.

– Contra o Fortaleza, time tradicional do Nordeste, teremos equilíbrio nas arquibancadas do Castelão. Mas sem essa de “obrigação de matar o segundo jogo”. Vamos com tranquilidade, porque a vitória por 1 a 0 já estará de bom tamanho. E acho que mais um jogo, no Rio, não fará mal algum para o time ainda desentrosado e desfigurado em termos táticos.

– Adriano? A fila anda. O sábio Vanderlei não o quis, e se é ele o cara com a moral da diretoria, então que fique assim. Não pode é Adriano atravessar o técnico, que, mesmo sob a minha antipatia e ainda sem a formação ideal, parece ter o controle do grupo. E como a própria contratação do Imperador por si só seria controversa em função do que ele ainda pode render, então é até bom que não tenha voltado.

– Love e Nilmar. Prefiro sonhar com o primeiro. Já passou pelo test-drive com o Manto, que não pesou. O Manto pesa até nos craques consagrados – imaginei se Nilmar o sentisse, após a fortuna investida? Sem contar que Love me parece mais factível a curto prazo. E é um artilheiro, não se pode negar.

Essa é para os amigos tricolores:

  • 2004 – Fla, vice da Copa do Brasil, para time pequeno do interior de São Paulo.
  • 2005 – Flu, vice da Copa do Brasil, para time pequeno do interior de São Paulo.
  • 2006 – Fla, campeão da Copa do Brasil, contra time alvinegro.
  • 2007 – Flu, campeão da Copa do Brasil, contra time alvinegro.
  • 2009 – Fla, campeão brasileiro.
  • 2010 – Flu, campeão brasileiro.
  • 2010 – Após título brasileiro, Fla tem nova presidente assume, demite vice de futebol, demite o técnico, é eliminado da Libertadores e goleiro se envolve em crime macabro.
  • 2011 – Após título brasileiro, Flu tem novo presidente assume, demite vice de futebol, demite o técnico, é eliminado da Libertadores e …. se cuida, Senhora BERNA!!!!!!

 

Fla-Weekender: O que o New York Times viu em Patrícia Amorim

“In soccer-obsessed Brazil, there is no team more popular or with more history than Flamengo, which is based in Rio”, New York Times, p. 8, International’s The Saturday Profile. 25/2/2011.

Curiosamente ignorado pelo na tradução integral veiculação pelo site de “O GLOBO”, no mesmo dia da publicação da matéria no NYT, o trecho acima oferece a real dimensão da representatividade do Flamengo no Brasil e, de quebra, permite o julgamento de que o potencial do clube a ser explorado no exterior é, de fato, muito grande.

Emergente da vez. Global player diplomático. Economia em ascensão. Nação dos investimentos. Terra da próxima Copa do Mundo de futebol, esporte a que os americanos começam a se render. O Brasil é a bola da vez. E o Flamengo, na condição de principal clube desse país reconhecida pelo jornal mais importante do mundo, deve se repaginar para seguir além das fronteiras nacionais.

A reportagem aborda, em si, um perfil de nossa presidente. Talvez porque seja no mínimo insólito, para os americanos, uma mulher que vença os desafios e preconceitos no comando do maior clube da América do Sul, que ainda tanto rejeita a presença feminina dentro e fora de campo (panorama diametralmente oposto ao dos Estados Unidos, diga-se).

Mas se não fosse o Flamengo, se fosse qualquer outro clube brasileiro, Patrícia não estaria nos “Saturdays Profiles”, espaço na conceituadíssima editoria internacional da publicação mais importante no planeta semanalmente dedicado a personalidades de destaque.

No mais, recentemente, o C.R.F. esteve como ponto central de matéria no renomado blog “Beyond the Brics”, do Financial Times, jornal econômico mais importante do planeta. No post, o autor evoca os retornos dos astros brasileiros à terra natal, dado o bom momento do pais no cenário econômico atual, e não pôde deixar de sublinhar a contratação de Ronaldinho Gaúcho pelo Mais Querido.

E o que, hoje, se pode fazer pela ampliação das fronteiras nacionais do Flamengo?

Assunto para os próximos posts.

Visao do Mundo – Bangu 1 x 2 Flamengo – Luxa acertou. Soh na coletiva

O Flamengo jogou talvez sua pior partida do ano ante o Bangu. Venceu num dia de sorte, num jogo em que mostrou muita desorganizacao tatica e falhas tecnicas, apesar da transpiracao.

Parte das dificuldades originou-se na atuacao de Vanderlei Luxemburgo. Sim, porque o time nao foi tao mal no primeiro tempo (principalmente nos primeiros quinze minutos). Que o tecnico ate quisesse poupar os amarelados para o classico de domingo, va la. Mas ai a desconstruir nossa marcacao lancando um meia na ala tendo um camisa 2 de oficio no banco e abdicar do melhor dos volantes para tentar usar o Renato na funcao, ai eh demais. Era obvio que o Bangu, que nao eh um time ruim, cresceria e so nao venceu por Felipe.

Mas como a mare de Luxa esta bem positiva – assim como foi no Galo no primeiro semestre do ano passado (e que nao o deixem ficar por tanto tempo ate que ele degringole o time no meio do Brasileirao), seu trabalho segue incontestavel. Que ao menos, no Fla-Flu, ele invente menos e faca o time vencer e convencer, coisa que, este ano, com Ronaldinho, Thiago Neves e cia, ainda nao fez.

A grande vitoria do Luxa no jogo foi justamente na coletiva, quando anunciou a nao-contratacao do Adriano. Ainda tinha algumas duvidas, mas depois do veto publico e explicito, ficou evidente que qualquer decisao em contrario seria malefica para o elenco que comanda.

No mais, Adriano ficara 45 dias no estaleiro. Imaginem o estimulo dos nossos atacantes, que ja sao meia-boca, ao saberem que, o que quer facam, ainda se marcarem tres gols por jogo, terao inevitavelmente a reserva como destino, e tendo de ceder o lugar prum cara erratico, relapso e que, apesar de artilheiro, tem toda a condenscendencia que vai ao encontro de todo o bom exemplo que se espera de um profissional.

Fora isso, ainda tem as questoes extracampo, como o temor de que o ja dificil patrocinador master demore ainda mais ou, quando vier, seja concretizado por um valor ainda mais aquem do que o esperado.

Ou seja, tudo o que Ronaldinho pode trazer de positivo, Adriano poderia vir a negativar.

No fim das contas, acho que foi melhor assim.